Trilogia teatral vira livro e marca novo ciclo da premiada Velha Companhia

por Vendo Teatro
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Foto: Sínthia Lenise Pinheiro/ Divulgação

A Velha Companhia amplia os horizontes da sua produção artística com o lançamento de “As águas”, livro que reúne três das peças mais emblemáticas de seu repertório. Com dramaturgia de Kiko Marques, o volume reúne as obras “Cais ou Da indiferença das embarcações” (2012), “Sínthia” (2016) e “Casa Submersa” (2019), peças que receberam prêmios e indicações como Shell, APCA e Aplauso Brasil, e que agora ganham versão impressa pela Editora Javali.

Com prefácio da professora Maria Fernanda Vomero (USP) e posfácio da crítica Daniele Sampaio, o livro consolida mais de 12 anos de pesquisa e criação dramatúrgica, e oferece um mergulho profundo nas memórias pessoais e coletivas do Brasil. Os textos transitam por temas como Estado Novo, ditadura militar, violência política e apagamentos históricos. O livro está disponível como pré-lançamento e pode ser adquirido no site da editorajavali.com.

“São peças de três horas, muito bem construídas. É uma literatura dramática que convida à leitura, mesmo fora dos palcos”, comenta o editor Assis Benevenuto, da Javali. Ele destaca também o esmero editorial do próprio Kiko Marques na preparação dos textos: “Há um cuidado com a palavra, com a atualização de certas passagens, com a permanência dessas histórias no tempo”.

Com uma prática teatral baseada em longos processos de pesquisa, formação e criação coletiva, a Velha Companhia tem em seu repertório obras como “Banco dos sonhos” e “Valéria e os pássaros”, além da trilogia que agora compõe “As águas”. A publicação representa um marco para o grupo. “Sempre vi o teatro como uma arte efêmera. Que esse texto possa se eternizar é um testemunho do nosso tempo, do nosso fazer. Não nos apagaremos completamente”, reflete Alejandra Sampaio. Para Virgínia Buckowski, o livro também representa um salto de profissionalização, já que os textos da companhia, antes restritos a PDFs e roteiros de ensaio, agora ganham um formato público, editado e duradouro.

Além do teatro e da literatura, os textos da trilogia também estão sendo adaptados para o audiovisual. Kiko Marques relata que “Cais” está com os direitos adquiridos por Marco Ricca, que estuda transformá-lo em filme ou série. “Sínthia”, anteriormente em desenvolvimento com Toni Venturi, também segue em fase de adaptação. Já “Casa Submersa” está sendo desenvolvida como série ou longa por Marc Bechar e Aly Muritiba.

O lançamento integra o Projeto Empatia, contemplado pelo 43º Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo, e que inclui ainda temporada da peça “Cais…” no TUSP, atividades de formação, debates e pesquisas em dramaturgia.


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