Memórias entre afetos | Olhar Crítico sobre “Senhora”

por Vendo Teatro
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Foto: Divulgação


Por Cleyton Nóbrega
Revisão Crítica: Luiz Diego Garcia
Recife, Maio 2024

Foi um dia ensolarado, estava indo à casa de alguns amigos no bairro da Várzea no Recife, e depois de um almoço merecido e boas conversas, convidaram-me a assistir ao espetáculo “Senhora” no Centro de Artes e Comunicação (CAC). A princípio, fiquei muito contente por voltar ao centro onde estudei por tantos anos, depois de um período extenso sem frequentá-lo. Posteriormente, fomos todos ao Teatro Milton Bacarelli e, depois de aguardarmos um tempo extenso na fila, finalmente entramos e nos acomodamos.

O espetáculo, compôs a “Mostra de Trabalhos” das disciplinas: Laboratório de Encenação e Criação em Iluminação Cênica. Coordenação: Profª. Vika Schabbach; Orientação dos professores: Marcondes Lima, Agrinez Melo e Vika Schabbach. A casa estava cheia, todos ficaram ansiosos em apreciar o que estava por vir. o espetáculo “Senhora” era composto na encenação por: João Pedro Pinheiro, Julia Moura e Larissa Pinheiro. Atuação: Adélia Natividade, Conceição Andrade, João Pedro Pinheiro e Maria José. Iluminação: Gabriel Machado, Julia Moura, Junnior Albuquerque. Dramaturgia: Samlpler de João Pedro Pinheiro com textos de Guiuseppe Ghiaronni e Mary Elizabeth Fryre. Figurino: João Pedro Pinheiro e Larissa Pinheiro. Sonoplastia: Cinthia Clara. Trilha Sonora: João Pedro Pinheiro e Larissa Pinheiro. Dramaturgismo: Larissa Pinheiro e Wellington Júnnior.

Em cena, encontrávamos uma cadeira, composta por um agasalho vermelho, óculos, um par de sandálias e o ator em cena, vestido de blusa clara e bermuda escura, no tablado de pé, ao lado da cadeira. Ao lado, tínhamos três atrizes com roupas vermelhas e adereços chamativos e brilhantes que só subiram ao palco no final da encenação. Ora elas entravam em cena e interagiam com o personagem no palco, ora elas entravam com placas, mostrando ao público a ordem das passagens da cena. O espetáculo narra a história de um neto, que acompanha a sua avó durante a vida, inclusive durante o período em que a avó se descobre portadora da doença de Alzheimer. Ao mesmo tempo que tínhamos estes estímulos em cena, havia projeções de recordações de um neto com sua avó ao fundo e áudios das lembranças de um neto com sua avó. Aliados à excelente interpretação dos atores em cena, a iluminação e sonoplastia ajudavam-nos a adentrar na atmosfera da cena. E em um momento muito especial, ao final do espetáculo, nos emocionamos com as memórias afetivas das atrizes em cena e suas mães. Algo tão singelo e singular, memórias atribuídas às trajetórias de vida e também aos afetos e memórias de amor e carinho, impossível não nos emocionarmos. Foi um momento ímpar. Vida longa ao espetáculo “Senhora” que siga emocionando e nos fazendo refletir sobre o amor e nossas relações de afeto.

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